
AI Index 2026: oque mudou e como pensar a estratégia 2027
agosto 22, 2026O maior risco para a tomada de decisão numa empresa raramente é um sistema fora do ar ou um movimento inesperado de um concorrente. É algo mais silencioso: uma informação que existe em algum lugar da organização, mas que ninguém consegue encontrar, confiar ou cruzar a tempo de fazer diferença. Esse é o silo de dados, que não aparece em nenhum painel de incidentes porque, tecnicamente, nada quebrou. Só ninguém sabe onde está a verdade.
A boa notícia é que esse problema tem tamanho conhecido. A má notícia é o tamanho.
O que os dados dizem sobre o problema dos dados
Segundo a IDC Brazil Digital Transformation Survey 2025, os três maiores desafios técnicos enfrentados por empresas brasileiras para organizar, integrar e governar seus dados seriam dificuldade em garantir a qualidade dos dados (28%), dificuldade em estabelecer políticas e padrões de governança de dados (24%) e arquitetura de dados não preparada (22%).
O dado que resume o problema
Qualidade, governança e arquitetura — nenhum desses três desafios é sobre falta de tecnologia. São sobre organização. E juntos, respondem por mais de três quartos das dificuldades relatadas.
Isso é revelador. Não é falta de ferramenta. É a ausência de um critério comum sobre onde a informação mora, quem é dono dela e qual o grau de confiabilidade dela — o tipo de problema que se acumula silenciosamente, decisão de arquitetura após decisão de arquitetura, contrato após contrato, sistema após sistema.
Como o silo se forma (e por que ele não é culpa de ninguém em particular)
Silos raramente nascem de uma decisão errada isolada. Nascem do acúmulo de decisões razoáveis tomadas em momentos diferentes: uma ferramenta comprada para resolver um problema específico de uma área; uma migração para nuvem feita por cima de sistemas que continuaram on-premises; uma fusão ou aquisição cuja integração de dados nunca foi concluída de fato; um processo que, na falta de solução oficial, passou a viver numa planilha compartilhada por e-mail. Cada uma dessas decisões fazia sentido isoladamente. O resultado coletivo é uma empresa cujos dados vivem espalhados entre e-mails, portais, sistemas legados, novas aplicações e armazenamento em nuvem. Cada pedaço com seu próprio formato, seu próprio dono e sua própria regra de acesso.
O custo não é de TI — é de crescimento
O erro mais comum é tratar isso como um problema técnico, da prateleira de TI. Mas os silos atingem diretamente as prioridades que definem investimento em tecnologia hoje. De acordo com a IDC Brazil Presidents’ Dinner Survey 2025, as cinco iniciativas de negócio com maior influência sobre os investimentos de TI em 2026 no Brasil seriam: aumentar a produtividade da organização (43%), melhorar a experiência dos clientes no físico e no digital (35%), enfrentar competidores com uso mais eficiente de TI (34%), criar ou aprimorar produtos e serviços (33%) e melhorar a aquisição e retenção de clientes (26%).
Todas as cinco dependem de uma mesma capacidade básica: encontrar e confiar em dados rapidamente. Produtividade cai quando equipes gastam tempo procurando informação em vez de usá-la. Experiência do cliente piora quando diferentes áreas enxergam versões diferentes da mesma jornada. Competir com eficiência de TI é, por definição, impossível se a própria empresa não sabe o que já sabe sobre seus clientes e operações.
Há ainda um argumento de crescimento. A mesma pesquisa da IDC projetava que as receitas ligadas a produtos ou serviços digitais no Brasil deveriam saltar de 42% em 2025 para 59% em 2030. Empresas que mantêm seus dados presos em silos dificilmente vão conseguir capturar essa mudança na mesma velocidade que concorrentes capazes de cruzar informação de forma rápida e confiável porque cada novo produto digital, cada nova jornada, depende de dados que hoje já estão fragmentados.
O silo também explica a distância entre TI e negócio
Outro dado da pesquisa de transformação digital da IDC ajuda a explicar por que esse problema persiste: 71% das lideranças de TI acreditam que as áreas de negócio ainda não estão totalmente prontas para tirar o máximo proveito de soluções habilitadas por IA. E 69% das empresas pretendiam contratar pessoas nas áreas de negócio ainda em 2026 para acelerar a adoção de IA, buscando maior alinhamento entre objetivos de negócio e aplicação de tecnologia.
Esse gap de confiança entre TI e negócio não é uma coincidência ao lado do problema de silos. É, em boa parte, uma consequência dele. É difícil pedir que uma área de negócio confie em dados que ela não consegue ver, entender ou verificar. E é difícil que a TI avance rápido quando ninguém na empresa concorda, com clareza, sobre onde mora a versão confiável de cada informação.
Reformular o problema
Resolver silos de dados não é um projeto de busca corporativa nem um dashboard de BI a mais para a lista de pendências de TI. É a pré-condição para praticamente todas as apostas de crescimento e produtividade que uma empresa está fazendo para a segunda metade desta década. As organizações que tratarem o problema dessa forma, como decisão estratégica, não como tarefa técnica, vão passar o período entre 2026 e 2030 construindo em cima dos próprios dados. As demais vão passar esse mesmo período escavando atrás deles.




